Divulgação

“Wittgenstein! – Lógica e Loucura” em cartaz no período de 7 de abril a 28 de maio, às sextas e sábados, 21h30, e aos domingos, 20h30, no Teatro Fábrica São Paulo (Rua da Consolação, 1623. Tel.: 3255-5922 e 3258-8140). Indicação: 16 anos. Duração: 75 minutos. Ingressos: R$ 20 e 10,00 (meia). Estacionamento conveniado R$5.

 

 

Jairo Arco e Flexa comemora 30 anos de carreira

O ator Jairo Arco comemora 30 anos de carreira ao fazer a peça “Wittgenstein! – Lógica e Loucura”, com direção de Roberto Rosa. Inspirado livremente na vida e nas obras do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein (1889 – 1951), o texto é a estréia como dramaturgo do poeta, ensaísta e tradutor Augusto Contador Borges.


“Desde o tempo em que fazia o curso de Filosofia na USP e que li o “Tractatus Logico-Philosophicus”, única obra do autor publicada em vida, tinha o projeto de fazer um espetáculo teatral baseado no livro e na vida de Wittgenstein”, conta Jairo.

A adaptação foi um desafio não apenas pelo fato de que o “Tractatus...” e as obras seguintes do filósofo serem consideradas obscuras e até mesmo impenetráveis por muitos especialistas. Mas também porque a personalidade do próprio Wittgenstein é um mistério que vem intrigando um número crescente de estudiosos, desde sua morte, em 1951.

A peça se inicia com uma palestra de Wittgenstein para uma platéia de professores de filosofia, na qual o protagonista ataca de maneira implacável o que considera os equívocos e confusões da linguagem, segundo ele os responsáveis pelas armadilhas de que os filósofos são vítimas.

Ao longo da palestra, de acordo com sua teoria de que “dar aula é raciocinar em voz alta”, Wittgenstein vai trazendo à tona suas reflexões de natureza intelectual, bem como suas memórias e angústias pessoais.

De maneira ágil, a peça alterna sua ação pelos mais diversos ambientes: uma sala de aula em Cambridge, o front de batalha da I Guerra Mundial, onde o protagonista foi voluntário, num hospital londrino no qual trabalhou como técnico de laboratório, a casa de Bertrand Russell, a mansão onde Wittgenstein viveu até a adolescência, sua cabana na Noruega, e principalmente seu próprio e conturbado mundo interior.

Biografia - Ludwig Wittgenstein é filho de um industrial austríaco que graças à sua engenhosidade no domínio da mecânica e a uma excepcional sensibilidade para os negócios tornou-se um dos homens mais ricos da Europa. Caçula de oito irmãos, foi criado em berço de ouro. Embora tenha feito o curso de Engenharia (profissão que o pai havia lhe destinado), Wittgenstein logo descobriu que seu grande interesse – na verdade seu único interesse na vida - estava no estudo da Lógica e da Linguagem.


Escrito na forma de proposições, numeradas e classificadas de maneira minuciosa como se fossem itens de um breve, porém denso, catálogo para orientação e sistematização do pensamento, o “Tractatus” provocou grande controvérsia e deu a Wittgenstein celebridade instantânea no mundo da filosofia.

O comportamento peculiar do filósofo, sem dúvida, muito contribuiu para criar polêmica em torno de seu nome. Às vezes irascível, Wittgenstein parecia entrar em conflito com todos que discordavam de suas posições teóricas - e mesmo com aqueles que simpatizavam com elas, como o próprio Bertrand Russell, que escreveu a introdução do “Tractatus”, que não agradou ao autor, que acabaria acusando Russell de “não ter entendido sua obra”.

A vida de Wittgenstein foi marcada por tragédias familiares: de seus quatro irmãos homens, três se suicidaram e o outro, um pianista de enorme talento, perdeu o braço direito na Primeira Guerra Mundial.

Embora acostumado a uma vida de luxo desde a infância, Wittgenstein costumava dizer que não era apegado ao dinheiro. Ele provaria isso ao distribuir a imensa fortuna que herdara do pai entre diversos artistas, entre eles os poetas Georg Trakl, Rainer Maria Rilke e Theodor Haecker, que traduzira Kierkegaard para o alemão.

O desapego aos bens materiais e o desinteresse pela vida acadêmica tinham sua razão: de acordo com o filósofo, ele precisava abrir mão do dinheiro, que lhe “contaminava o pensamento”. Assim como apenas a vida longe dos grandes centros lhe daria a simplicidade necessária “para poder pensar com clareza”.