Divulgação


 

Denise Weinberg: “quero fazer cinema”

Por Claudio Marinho

A atriz Denise Weinberg promete se ausentar dos palcos por um tempo e investir seu tempo no. O ano de 2007 garantiu agenda cheia para Denise, que fez as peças “Ana Weiss”, “Álbum de Família” e “Outono e Inverno”. “Este ano quero investir em outras funções, quero fazer cinema. Quero estudar e cuidar de mim”, diz a atriz, que se prepara para assumir a assistência de direção do longa-metragem “Praça da Sé”, de Edu Ramos.

Ela é uma das fundadoras do Grupo Tapa, onde trabalhou por 25 anos. O exercício de atriz logo se somou ao trabalho de professora de teatro na oficina do Grupo Tapa, que começou em 1994. “Foi natural isto pra mim. O exercício com os alunos apurou meu olhar para a direção”, analisa Denise, que sempre tem o ator como principal foco de atenção no momento em que se propõe a dirigir.

Sorriso largo, ânimo ao falar do teatro – até um pouco agressiva (no melhor sentido da palavra!) – na hora de defender a arte. “É incrível como nossa sociedade de consumo promoveu uma inversão de valores: o que não presta é que é bom... e vice-versa. Por isso eu ando mesmo é na contramão. Tenho reconhecimento da mídia, mas nunca busquei isso. Eu gosto é de trabalhar. O espaço conquistado é resultado disso”, diz a atriz que em 2006 recebeu o Prêmio Shell pela peça Oração para um Pé de Chinelo (FOTO) e, também, o Prêmio APCA pela mesma montagem. Além de dois Prêmios Molière como melhor atriz nas peças Vestido de Noiva (1994) e A Megera Domada (1991), ganhou três Prêmios Mambembe pelas peças Do fundo do lago escuro (1997), Vestido de Noiva (1994) e Viúva, porém honesta (1987). A atriz também ganhou três prêmios em cinema pelos filmes BMW Vermelho (2001), curta de Eduardo Ramos, Quase Nada (2000) de Sergio Resende e Em nome do Pai (2000), curta de Julio Pessoa.

Nesta entrevista Denise fala de seu trabalho, dentro do panorama teatral brasileiro, e lamenta pela banalização da cultura . Confira a entrevista desta carioca, que mora em São Paulo há 20 anos, sempre em atividade.

Claudio Marinho – Como você se posiciona diante da realidade cultural na contemporaneidade?

Denise Weinberg – Eu, como pessoa de teatro, vejo que a cultura está banalizada. Há uma deformação cultural. Há uma inversão de valores em que presta o que, na realidade, não é bom. Vivemos ainda sob o rescaldo do século XX, marcado pelo consumismo. O teatro é, em sua essência, uma arte popular. Lembro que quando cheguei em São Paulo fazia sete sessões por semana. Hoje, quando apresentamos uma peça de sexta-feira a domingo, devemos ficar satisfeitos. A profissão virou quase um hobby, infelizmente. Diante desta realidade, eu nunca precisei vender minha alma. Tenho 52 anos e nunca me vendi.

Claudio Marinho – Você acredita que a mídia de massa pode prejudicar o trabalho e a imagem do artista?

Denise Weinberg – Pode prejudicar no momento em que o artista não pode errar. A arte pede experimento e isso pode resultar em erro. Assim é a arte. Sem o experimento não tem graça. É por isso que eu acredito que, no Brasil, é incompatível fazer arte e ganhar dinheiro. Eu vou ao teatro para ver de tudo e fico impressionada, às vezes, ao perceber o entusiasmo da platéia ao aplaudir algumas peças sem qualidade artística. O olhar do público está determinado pela linguagem televisiva.

Claudio Marinho – O que, na sua opinião, são qualidades de bons atores?

Denise Weinberg – Disciplina, paciência, disponibilidade emocional e física, entrega, consciência de que nossa arte não tem glamour. Não faço apologia à pobreza. Mas acho uma bobagem o artista correr atrás da fama.

Cláudio Marinho – Como se dá o diálogo entre as suas funções de atriz e diretora?

Denise Weinberg – A direção é uma conseqüência das aulas de teatro. O contato com alunos apurou meu olhar para a direção. Meu interesse é sempre o ator. Não sou uma encenadora capaz de fazer mapas de palco, penso sempre no ator porque este é meu maior conhecimento.


* Edições Anteriores:

Patrícia Aguille virá em ritmo da Cavalaria Ligeira