Foto: João Caldas

“O Poeta e as Andorinhas” estréia dia 10 de agosto de 2008, domingo, 16 horas, no Teatro Imprensa (Rua Jaceguai, 400. Bela Vista. Informações: 11-3241-4203). Sábados e domingos, às 16 horas. Ingressos: R$ 40 (meia-entrada para estudantes, aposentados e professores). Duração: 60 min. Espetáculo recomendável para maiores de 9 anos. Até 30 de novembro de 2008.

Patrocínio do Banco Panamericano.

 

Oscar Wilde inspira peça infanto-juvenil “O Poeta e as Andorinhas”

Por Claudio Marinho

Com texto e direção de Paulo Ribeiro, a montagem infanto-juvenil “O Poeta e as Andorinhas” coloca no palco a vida e a obra do escritor Oscar Wilde, reunindo os contos escritos por ele, além do enredo de seu único romance O Retrato de Dorian Gray.

Em O Retrato de Dorian Gray, um belo jovem abre mão de sua alma em prol da beleza e da juventude eternas. No conto O Aniversário da Infanta um anão sem qualquer dote de beleza serve de diversão perversa a uma infanta espanhola. O Rouxinol e a Rosa conta a história de uma andorinha que renuncia à própria vida ao dar a um rapaz uma rosa tingida com o sangue de seu coração para que ele conquiste uma jovem. No conto O Príncipe Feliz, um príncipe poupado em vida de conhecer as tristezas do mundo tem, após sua morte, uma estátua erigida em sua homenagem. O Príncipe vai assistir dolorosamente, em praça pública, a todas as misérias da cidade onde vivera.

A “costura” cênica ainda reserva espaço para fragmentos sutis da conturbada trajetória do autor irlandês. A peça, que mantém o característico tom ácido de Wilde, propõe uma discussão sobre as verdades absolutas, o hedonismo, as várias faces do amor, as injustiças, o preconceito, o narcisismo e a universalidade da arte. “A gente acredita no amadurecimento do nosso público e no trabalho pedagógico realizado no Centro Cultural Grupo Silvio Santos. É ousado, sim, tratar destes temas da maneira como fazemos. Acreditamos que é importante dar ferramentas às crianças para que possam refletir e se tornar adultos mais preparados para a vida”, diz Cíntia Abravanel, produtora do espetáculo.

O diretor Paulo Ribeiro diz que, por vivermos num momento em que a comunicação é ágil, procurou fazer um espetáculo que valorize a poesia. “Meu processo de criação se inicia na dramaturgia. No início não pensava que faria esta peça para um público tão jovem”, admite o diretor, que consegue equilibrar a cena com a plasticidade dos figurinos de Leonardo Diniz e o cenário de JC Serroni, que trabalhou com projeções em tecidos translúcidos. O visual transporta o público para um ambiente onírico, muito adequado para a obra de Oscar Wilde.