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Como ser bom e ao mesmo tempo sobreviver no mundo competitivo em que vivemos? Esta é a questão levantada pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht na peça A Alma Boa de Setsuan, com a atriz Denise Fraga no papel central, e direção de Marco Antônio Braz. O texto foi escrito em 1941, época em que o autor vivia mo exílio da Alemanha nazista. Afirmava que a bondade era o estado natural do homem, e que a crueldade exigia um grande esforço. Entretanto, o preço para se praticar o bem em um mundo como o nosso seria alto demais. Denise Fraga tinha vontade de trabalhar com Marco Antônio Braz por sua vivência de grupo e sua direção lúdica e irreverente. O projeto existe há cinco anos. A atriz insistiu em montar a peça por acreditar que a questão colocada por Brecht, a contradição humana diante do caos ético em que vivemos num mundo onde a voz mais forte é sempre a do capital, precisa ser discutida. “Marco Antônio Braz disse que gostaria de encenar a peça porque acha que Brecht é divertido. Também acho. Brecht é divertido e tem a sabedoria de, através de uma história bem contada, dizer o que quer, nos colocando em questão absoluta diante do caos social onde aparentemente nos acostumamos a viver”, diz a atriz. A parábola é ambientada na China. Três Deuses, nessa adaptação transformados na Santíssima Trindade e vividos por um único ator, descem a Terra à procura de pelo menos uma alma boa. Depois de muito caminho percorrido em vão, chegam a uma província chamada Setsuan. Lá encontram a prostituta Chen Tê que lhes dá guarita por uma noite. Na manhã seguinte, concluem ser ela a alma boa que tanto procuravam e resolvem lhe pagar pela hospedagem. O dinheiro é suficiente para Chen Tê abrir uma tabacaria e mudar de vida. Dona de seu próprio negócio, Chen Tê começa a ver os miseráveis da cidade abusarem de sua imensa generosidade. Sem conseguir dizer não, resolve vestir a máscara do mal. Traveste-se de uma figura masculina, seu primo Chui Ta que teria vindo de longe para temporariamente tomar conta de seu negócio. O agir de Chui Ta em tudo difere do de Chen Tê. O que Chen Tê não consegue recusar por fraqueza, Chui Ta retoma com força. Se Chen Tê promete arroz, Chui Ta só libera o prometido em troca de trabalho. Chen Tê é mulher e se apaixona, Chui Ta é homem e faz negócios. Chen Tê engravida, mas é a barriga de Chui Ta que cresce de prosperidade, aos olhos do povo. Como ninguém deve saber que Chen Tê está grávida, É a prima agora que se esconde por trás do primo. Somente Chui Ta aparece e comanda. Um boato cresce em Setsuan em torno do desaparecimento de Chen Tê: Chui Ta teria seqüestrado a própria prima para ficar com suas riquezas. .A última cena da parábola é o julgamento de Chui Ta.
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